Aviso ao leitor — Este conteúdo foi produzido por estudantes do curso de Jornalismo da UNIP como atividade prática da disciplina Jornalismo Digital e Social Media, sob supervisão docente, com finalidade exclusivamente didática. O material não constitui publicação jornalística profissional nem representa a posição institucional da UNIP.
Para muitos jogadores brasileiros, atuar no futebol europeu representa a chance de construir uma carreira fora do país e conquistar mais espaço no futebol. Nem sempre, porém, essa oportunidade acontece em grandes clubes ou nas principais ligas. Muitos atletas começam em equipes menores e precisam enfrentar uma realidade bem diferente daquela que imaginavam antes de deixar o Brasil.
A mudança para outro país envolve muito mais do que apenas jogar futebol. O atleta precisa se adaptar a uma nova cultura, aprender outro idioma e lidar com a distância da família e dos amigos. Em alguns casos, também precisa enfrentar um estilo de jogo diferente e uma rotina completamente nova.
Adaptação e superação, o desafio físico e cultural de jogar em Portugal
Para alguns jogadores, a experiência acaba sendo positiva e serve como uma etapa importante para o desenvolvimento da carreira. Para outros, entretanto, o sonho de jogar na Europa pode se transformar em uma situação complicada.
Existem casos de atletas que viajam depois de receber propostas de empresários ou intermediários e, ao chegar ao destino, percebem que as condições são diferentes do que havia sido apresentado. Problemas como salários atrasados, contratos pouco claros e condições precárias de moradia podem fazer parte dessa realidade.

Foto da Cidade Alcanena em Portugal
A falta de informação também pode aumentar os riscos. Alguns jogadores assinam contratos em idiomas que não dominam ou não procuram orientação jurídica antes de viajar. Sem entender completamente as condições do acordo, o atleta pode acabar em uma situação difícil caso o clube ou o intermediário não cumpra o que foi combinado.
Outro problema é que nem todos conseguem chegar a países tradicionalmente conhecidos pelo futebol. Alguns acabam em divisões inferiores ou em equipes sem grande estrutura. Nesses casos, a visibilidade esperada pode não acontecer e o jogador passa a depender ainda mais do próprio esforço para continuar na carreira.
A distância da família também pesa. Quando o salário não é pago ou quando as condições de trabalho são ruins, o atleta pode precisar recorrer aos familiares para conseguir se manter. Em situações mais graves, alguns precisam abandonar a experiência e voltar para o Brasil.
Mesmo com essas dificuldades, o mercado internacional continua sendo muito importante para o futebol brasileiro. O Brasil está entre os países que mais enviam jogadores para o exterior, mostrando que existe uma procura grande por atletas brasileiros em diferentes mercados.
O problema está na falta de segurança que alguns jogadores encontram nesse processo. O sonho de atuar fora do país pode ser uma grande oportunidade, mas também exige cuidado. Antes de aceitar uma proposta, é importante conhecer o clube, verificar o contrato e entender exatamente quais serão as condições oferecidas.
Jogar na Europa pode representar um passo importante na carreira de um jovem atleta. Mas, para que esse sonho não se transforme em uma experiência de exploração ou abandono, é necessário que existam mais informação, orientação e proteção para quem decide deixar o Brasil em busca de uma oportunidade.
Testemunho Guilherme Lambert
Em entrevista Guilherme diz que estar lá é uma experiência difícil, mas que acrescenta muito ao caráter das pessoas. Ele afirma que sempre haverá uma dificuldade ou outra pelo caminho, mas como ele mesmo diz: “você nem pensa nas dificuldades que está passando, só quer saber de fazer o seu melhor e orgulhar sua família.”
“ As vezes pensava em desistir, mas a vontade de orgulhar sua família é maior do que tudo, então as vezes passar fome ou angústia acaba não sendo nada de mais.”
Pensar que jovens passam por isso e, muitas vezes, desistem por não ter apoio de sua família, faz refletir. Guilherme também diz que o apoio da sua foi essencial para sua permanência no alojamento que, como o próprio relatou, não tinha as melhores condições. Ele conta que diversas vezes viu baratas nos quartos e até ratos no banheiro.
“Pensava todos os dias em voltar”, essa frase foi repetida diversas vezes durante a entrevista, e ele complementava: “eu me sentia culpado em pensar isso.” O atleta contou que um dia passou cerca de quatro horas chorando na sacada do alojamento por saudade e angústia, mas que isso só serviu de motivação para continuar treinando e dando o seu melhor.

Guilherme Lambert, jogando jogo na cidade Atalaia em Portugal
O brasileiro relata que, nos primeiros treinos, sentiu muita dificuldade física: “no Brasil era um dos melhores fisicamente, lá me senti uma criança.” Essa diferença de cultura no esporte também é um ponto que poucas pessoas têm consciência, mas é um dos principais fatores quando os jovens pensam em desistir. Guilherme comentou sobre isso: “me senti uma farsa quando vi que estava tão abaixo dos demais. Aquilo me deu mais ânimo, mas não foi igual para alguns companheiros brasileiros.”
O dia a dia em Alcanena (cidade onde Guilherme estava morando) era tranquilo, segundo ele próprio. O atleta nos contou sobre sua rotina: “Acordava em torno de umas 8 horas, tomava café e depois ia treinar. Após esse treino, voltava para o alojamento e ia almoçar. Depois do almoço, ficava tranquilo até umas 18 horas, quando começava a segunda sessão de treino. Após isso, ia jantar e ficar tranquilo até dormir, que era por volta das 22 horas, mais ou menos.”
O atleta conta que essa rotina era tranquila, pois havia jogadores do clube que trabalhavam no período da manhã, o que deixava a rotina deles muito mais corrida e cansativa. Para se distrair no período de descanso, o brasileiro conta que assistia a vídeos de táticas e análises de jogos para melhorar sua compreensão do jogo, o que, segundo ele, conta muito para se manter na Europa.





