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O futebol vai acabar?

Times se reúnem e manifestam através das redes sociais abolindo a ideia de acabar com as bets. Uma das principais alegações, foi que se isso ocorrer, o futebol acaba.

Parte do comunicado postado pelos times de futebol – Imagem: Instagram

Na quinta-feira, dezessete de setembro, os principais times do futebol brasileiro se reuniram para protestar contra a declaração do presidente Lula que prometeu acabar com as apostas.

As equipes que colaboraram no documento, incluindo gigantes como Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Botafogo, Fluminense, Vasco, Cruzeiro e Atlético-MG, além das federações Paulista e Carioca, argumentaram que o veto às apostas traria consequências devastadoras, como risco de insolvência financeira, impacto no ecossistema e no mercado paralelo.

No dia seguinte, após a manifestação dos clubes, o presidente Lula rebateu a ação dos times durante um comício político em Guarulhos:

“O São Paulo foi campeão do mundo três vezes e não tinha apostas. O Santos foi campeão duas vezes e não tinha apostas. Grêmio, Flamengo e Internacional foram campeões e não tinham apostas. E o meu Corinthians foi duas vezes e não tinha apostas”.

Em 2018, as apostas de quota fixa foram legalizadas no mês de dezembro, no governo Michel Temer, pela Lei 13.756. O Brasil então, passou a enfrentar a polêmica da entrada dos cassinos online, especialmente no esporte, com grande repercussão econômica e social.

Pesquisa conduzida pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em colaboração com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), fundamentada em informações do Banco Central, nas Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica (Epae) e em análises internas. A saída líquida de fundos das famílias para as plataformas de apostas atingiu R$ 62,5 bilhões, o que representa aproximadamente 0,68% da renda disponível familiar.

O estudo enfatiza que o crescimento das bets se transformou em um elemento adicional de vulnerabilidade financeira para as famílias no Brasil, devido ao cenário de juros altos e maior complexidade para gerir as despesas.

No mundo futebolístico, os cassinos onlines passaram a aparecer com mais frequência no mesmo ano que foram legalizadas as apostas de quota fixa (2018). Segundo a Sports Value, as apostas pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes com maior receita do país. O montante correspondeu a aproximadamente 36% das receitas de marketing desses grupos. Em determinados clubes, a contribuição foi ainda mais expressiva: no São Paulo, por exemplo, as apostas representaram 73% da receita proveniente de patrocínios.

O jornalista esportivo André Avelar lida diariamente com o ecossistema do futebol, durante palestra realizada na Universidade Paulista da Chácara Santo Antônio, no dia nove de setembro (quarta-feira), foi categórico ao responder sobre a influência das apostas dentro de campo:

“Claro, isso já está acontecendo. Eu sou totalmente contra as apostas. Tenho um primo que perdeu tudo por vício em apostas.”

Ao que tudo indica,  o futebol não acabará, porém, resta saber como ele irá se sustentar com o possível fim dos cassinos online, visto que, atualmente, os times brasileiros são dependentes financeiramente das casas de apostas.


[ Aviso ao leitor  — Este conteúdo foi produzido por estudante do curso de Jornalismo da UNIP como atividade prática da disciplina Jornalismo Digital e Mídias Sociais, sob supervisão docente, com especificamente exclusivamente didática. O material não constitui publicação jornalística profissional nem representa a posição institucional da UNIP. ]

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